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Cannabis Medicinal no Dia Internacional das Mulheres

Updated: Jul 31, 2023


Dra. Paula Reichert Leite - Medicina Funcional Integrativa

Vamos falar do impacto da Cannabis na Saúde Íntima da muher?

As mulheres têm receptores canabinóides em endométrio, miométrio, ovários, mamas e vagina. E estudos já apontam o desequilíbrio do sistema endocanabinóide como causa de várias doenças ginecológicas.


Esse mês chega ao Brasil a linha de Cannabis voltada à saúde da mulher, da marca Foria, importada com exclusividade através da Cannect. É uma linha de lubrificantes íntimos e supositórios vaginais/ retais. Como é novidade por aqui vou explicar como a Cannabis interage em diversos aspectos do Universo Feminino.


O uso de Cannabidiol na forma de supositórios vaginais / retais melhora sintomas de TPM, endometriose, menopausa e Candidíase.


Na forma de óleo pode ser usado para lubrificação no ato sexual (procure óleos destinados a esse fim pois a mucosa vaginal é extremamente sensível a aditivos das formulações).


Quanto à relação sexual sob efeito da Cannabis (uso recreacional, inalada), um estudo com 217 participantes (133 do gênero feminino, 76 do masculino, 2 trans, 5 não informaram) registrou:

- 58,9% tiveram aumento de libido

- 73,8% tiveram aumento de satisfação sexual

- 74,3% reportaram aumento de sensibilidade ao toque

- 65,7% afirmaram que o orgasmo foi mais intenso

- 69,8% conseguiram relaxar mais durante o sexo

- 50,5% conseguiram se concentrar mais

- 38,7% disseram que o sexo foi melhor

- 16% que foi melhor em alguns aspectos e pior em outros

- 24,5 % disseram que em algumas vezes foi melhor

- 4,7 % disseram que foi pior

- Dos que reportam ter dificuldade em atingir o orgasmo, metade afirmou que a Cannabis facilitou sua obtenção

- 54% relataram se sentirem mais auto-confiantes

- 28,8% afirmaram aumento de lubrificação vaginal

- A maior diferença entre os gêneros foi que 50,8% das mulheres afirmaram atingir o orgasmo mais facilmente com a Cannabis, versus apenas 29,4% dos homens.


Trabalho científico recém publicado pela equipe do Dr. Raphael Mechoulam (considerado o pai da Medicina Canábica) mostra o Cannabidiol como agente anti- Candida in vitro. O CBD (Cannabidiol) inibe a Candida através de vários mecanismos:

1- Inibe a formação de Biofilmes (estruturas que dificultam a entrada de antifúngicos na colônia e estão ligados à resistência a antimicrobianos);

2- Rompe os Biofilmes já formados, facilitando a ação de antifúngicos convencionais ;

3- Altera os genes da Candida relacionados à formação de hifas (formas mais virulentas);

4- Rompe membrana e parede celulares da Candida, altera suas mitocôndrias causando a morte desse fungo.

5- Quando formulações de CBD contém óleo TCM o efeito antifúngico é aumentado devido ao Ácido Caprílico.


Trabalhos científicos com mulheres na Menopausa revelam que elas procuram a Cannabis para aliviar sintomas como ondas de calor, irritabilidade, depressão, insônia, dores musculares/ articulares, secura vaginal e sintomas urinários. Mas faltam ensaios clínicos nessa faixa etária.


Na Endometriose um trabalho demonstrou a Cannabis no alívio de sintomas como Dor pélvica, Ansiedade, Depressão, e Insônia em pacientes com Endometriose. Diversos trabalhos mostram melhora da Síndrome do Intestino Irritável (que muitas vezes acompanha a doença).


Na Síndrome dos Ovários Policísticos o CBD reduz a Resistência Insulínica envolvida na causa da doença.


Nos cânceres de mama, colo uterino, endométrio e ovariano trabalhos mostram que CBD torna o tumor menos proliferativo e invasivo e induz apoptose (morte programada) das células tumorais.


Por modular neurotransmissores e hormônios (Serotonina, Dopamina, Ocitocina, Cortisol) o CBD melhora distúrbios de humor (ansiedade, depressão, irritabilidade), comuns na TPM e Menopausa.


Por ser excelente relaxante muscular, analgésico e anti-inflamatório a Cannabis alivia cólicas, dispareunia (dor na relação sexual), vulvodínea (dor no uso de tampões ou até mesmo roupas) e dores pélvicas de endometriose e doenças inflamatórias.


Alguns trabalhos mostram que Cannabis pode reduzir a fertilidade da mulher e pode afetar o bebê (por atravessar a placenta e por ser excretada no leite materno). Como não existem estudos que comprovem segurança durante a concepção, gestação e amamentação, mulheres nessas fases devem evitar o uso de produtos derivados da Cannabis.


Referências:

DOI:10.3390/microorganisms9020441

DOI: 10.1038/s41598-020-70650-6

DOI: 10.1089/can.2020.0065

DOI: 10.1159/000499164

DOI: 10.1371/journal.pone.0258940

DOI: 10.1016/j.jsxm.2019.07.023

DOI: 10.26828/cannabis.2020.02.001

DOI: 10.1016/j.esxm.2019.01.003

DOI: 10.1093/humrep/deaa355

DOI: 10.3390/molecules27010156



Quer aprender mais sobre a Trajetória do Dr. Raphael Mechoulam, o cientista que descobriu nosso sistema endocanabinóide e que isolou as moléculas de THC e CBD?

Assista ao documentário super descontraído que está no You Tube (60 min)! Vale a pena!

The Scientist (O Cientista)- no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=SIi1k5LPTBA


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