• Dra. Paula Reichert Leite

Cannabis Medicinal no Dia Internacional das Mulheres



Vamos falar do impacto da Cannabis na Saúde Íntima da muher?

As mulheres têm receptores canabinóides em endométrio, miométrio, ovários, mamas e vagina. E estudos já apontam o desequilíbrio do sistema endocanabinóide como causa de várias doenças ginecológicas.


Esse mês chega ao Brasil a linha de Cannabis voltada à saúde da mulher, da marca Foria, importada com exclusividade através da Cannect. É uma linha de lubrificantes íntimos e supositórios vaginais/ retais. Como é novidade por aqui vou explicar como a Cannabis interage em diversos aspectos do Universo Feminino.


O uso de Cannabidiol na forma de supositórios vaginais / retais melhora sintomas de TPM, endometriose, menopausa e Candidíase.


Na forma de óleo pode ser usado para lubrificação no ato sexual (procure óleos destinados a esse fim pois a mucosa vaginal é extremamente sensível a aditivos das formulações).


Quanto à relação sexual sob efeito da Cannabis (uso recreacional, inalada), um estudo com 217 participantes (133 do gênero feminino, 76 do masculino, 2 trans, 5 não informaram) registrou:

- 58,9% tiveram aumento de libido

- 73,8% tiveram aumento de satisfação sexual

- 74,3% reportaram aumento de sensibilidade ao toque

- 65,7% afirmaram que o orgasmo foi mais intenso

- 69,8% conseguiram relaxar mais durante o sexo

- 50,5% conseguiram se concentrar mais

- 38,7% disseram que o sexo foi melhor

- 16% que foi melhor em alguns aspectos e pior em outros

- 24,5 % disseram que em algumas vezes foi melhor

- 4,7 % disseram que foi pior

- Dos que reportam ter dificuldade em atingir o orgasmo, metade afirmou que a Cannabis facilitou sua obtenção

- 54% relataram se sentirem mais auto-confiantes

- 28,8% afirmaram aumento de lubrificação vaginal

- A maior diferença entre os gêneros foi que 50,8% das mulheres afirmaram atingir o orgasmo mais facilmente com a Cannabis, versus apenas 29,4% dos homens.


Trabalho científico recém publicado pela equipe do Dr. Raphael Mechoulam (considerado o pai da Medicina Canábica) mostra o Cannabidiol como agente anti- Candida in vitro. O CBD (Cannabidiol) inibe a Candida através de vários mecanismos:

1- Inibe a formação de Biofilmes (estruturas que dificultam a entrada de antifúngicos na colônia e estão ligados à resistência a antimicrobianos);

2- Rompe os Biofilmes já formados, facilitando a ação de antifúngicos convencionais ;

3- Altera os genes da Candida relacionados à formação de hifas (formas mais virulentas);

4- Rompe membrana e parede celulares da Candida, altera suas mitocôndrias causando a morte desse fungo.

5- Quando formulações de CBD contém óleo TCM o efeito antifúngico é aumentado devido ao Ácido Caprílico.


Trabalhos científicos com mulheres na Menopausa revelam que elas procuram a Cannabis para aliviar sintomas como ondas de calor, irritabilidade, depressão, insônia, dores musculares/ articulares, secura vaginal e sintomas urinários. Mas faltam ensaios clínicos nessa faixa etária.


Na Endometriose um trabalho demonstrou a Cannabis no alívio de sintomas como Dor pélvica, Ansiedade, Depressão, e Insônia em pacientes com Endometriose. Diversos trabalhos mostram melhora da Síndrome do Intestino Irritável (que muitas vezes acompanha a doença).


Na Síndrome dos Ovários Policísticos o CBD reduz a Resistência Insulínica envolvida na causa da doença.


Nos cânceres de mama, colo uterino, endométrio e ovariano trabalhos mostram que CBD torna o tumor menos proliferativo e invasivo e induz apoptose (morte programada) das células tumorais.


Por modular neurotransmissores e hormônios (Serotonina, Dopamina, Ocitocina, Cortisol) o CBD melhora distúrbios de humor (ansiedade, depressão, irritabilidade), comuns na TPM e Menopausa.


Por ser excelente relaxante muscular, analgésico e anti-inflamatório a Cannabis alivia cólicas, dispareunia (dor na relação sexual), vulvodínea (dor no uso de tampões ou até mesmo roupas) e dores pélvicas de endometriose e doenças inflamatórias.


Alguns trabalhos mostram que Cannabis pode reduzir a fertilidade da mulher e pode afetar o bebê (por atravessar a placenta e por ser excretada no leite materno). Como não existem estudos que comprovem segurança durante a concepção, gestação e amamentação, mulheres nessas fases devem evitar o uso de produtos derivados da Cannabis.


Referências:

DOI:10.3390/microorganisms9020441

DOI: 10.1038/s41598-020-70650-6

DOI: 10.1089/can.2020.0065

DOI: 10.1159/000499164

DOI: 10.1371/journal.pone.0258940

DOI: 10.1016/j.jsxm.2019.07.023

DOI: 10.26828/cannabis.2020.02.001

DOI: 10.1016/j.esxm.2019.01.003

DOI: 10.1093/humrep/deaa355

DOI: 10.3390/molecules27010156



Quer aprender mais sobre a Trajetória do Dr. Raphael Mechoulam, o cientista que descobriu nosso sistema endocanabinóide e que isolou as moléculas de THC e CBD?

Assista ao documentário super descontraído que está no You Tube (60 min)! Vale a pena!

The Scientist (O Cientista)- no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=SIi1k5LPTBA


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